Ao retratar a geração que surgia no pós-guerra americano, o livro On The Road, quando veio à luz, em 57, lançaria Jack Kerouac como ícone mor de uma revolução cultural que pregava a busca da individualidade e de uma ingenuidade perdida. Ao custo de experiências intensas e autênticas, em seus limites mais perigosos, pegar a estrada ao som do mais puro jazz, com uma mão na frente e outra atrás, foi bandeira de toda uma geração. Os beatniks.
A sociedade morna que destituía o indivíduo de ação e liberdade para pensar e viver, forjava o American Way of Life, e instaurava o tempo do consumo, era a mesma que injetava nas veias da Rota 66 os Cadillacs e Harley Davidsons dos jovens dos anos 50 e 60 em busca de um sonho de liberdade.
Assim como no livro de Kerouac, a Mother Road com seus desertos, letreiros luminosos, jukeboxes e arquitetura art-decò é também pano de fundo para Easy Rider, já em plena contra-cultura. O grande paradoxo é que na mesma estrada que fez a América perder sua ingenuidade costa-a-costa, jovens revolucionários tenham flertado com um novo tipo de consciência.
Este ensaio da Coleção M Design 2009, além de referenciar-se na atmosfera On The Road, traz em essência uma nova forma de expressão, um novo modelo de capturar a individualidade em seus movimentos, traduzindo-a num modo de viver mais autêntico. De preferência, ouvindo muito Miles Davis.
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